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Causa de transtornos como autismo e depressão pode estar nos genes

Após analisar 700 cérebros, cientistas dos EUA identificam semelhanças e especificidades genéticas ligadas aos distúrbios psiquiátricos.

Há problemas de saúde que se caracterizam por alterações no organismo bem definidas, como a febre causada por uma infecção ou a falta de ar desencadeada pela asma. No caso de distúrbios psiquiátricos, porém, esses sinais nem sempre são tão evidentes. Em busca de pistas fisiológicas de doenças do tipo, pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, analisaram amostras cerebrais pós-morte de 700 pessoas e descobriram mudanças a nível molecular no autismo, na esquizofrenia, no transtorno bipolar, na depressão e no alcoolismo. Os achados da pesquisa, publicados na revista Science desta semana, poderão ajudar no diagnóstico e no tratamento dessas enfermidades.

Em uma pesquisa anterior, os investigadores analisaram o RNA (a forma como o gene se expressa) no cérebro de crianças e adultos que haviam sido diagnosticados, em vida, com autismo. “Encontramos uma patologia molecular compartilhada e percebemos que poderíamos usar esse método para começar a entender a sobreposição quantitativa entre distúrbios, bem como características específicas”, conta ao Correio Daniel Geschwind, autor do estudo e professor de neurologia, psiquiatria e genética humana da Universidade da Califórnia.

Segundo o investigador, estudos científicos comprovaram que certas variações no material genético colocam as pessoas em risco de transtornos psiquiátricos, mas que o DNA não “conta toda a história” do distúrbio. Em busca de mais respostas, ele os colegas resolveram analisar as moléculas de RNA nas 700 amostras de tecido cerebral e as comparar com as de indivíduos que não tiveram os transtornos psiquiátricos.

Os resultados do novo estudo de patologia molecular mostraram sobreposição significativa — ou seja,  similaridades — entre distúrbios distintos, como o autismo e a esquizofrenia. “Vemos algumas mudanças compartilhadas, que envolvem, por exemplo, a redução na sinalização de células da glia (que fazem parte do sistema nervoso) mais pronunciada no autismo, algo visto como padrão também na esquizofrenia e no transtorno bipolar, mas, nesta última, isso é menos expressivo”, frisa Geschwind.

A pesquisa também apontou algumas especificidades. Segundo o investigador, no transtorno bipolar, percebeu-se um padrão totalmente diferente que, em termos gerais, mostra uma resposta relacionada ao efeito dos hormônios do estresse sobre o cérebro. “O alcoolismo não compartilha nenhum desses padrões, ele se mostra bem diferente, assim como a depressão”, complementa.

Veja reportagem completa: Correio Braziliense – Ciência e Saúde