{"id":31234,"date":"2024-01-24T10:30:22","date_gmt":"2024-01-24T13:30:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.federassantas.org.br\/novosite\/?p=31234"},"modified":"2024-01-24T10:37:37","modified_gmt":"2024-01-24T13:37:37","slug":"depressao-em-idosos-por-que-doenca-ainda-e-dificil-de-ser-diagnosticada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.federassantas.org.br\/novosite\/depressao-em-idosos-por-que-doenca-ainda-e-dificil-de-ser-diagnosticada\/","title":{"rendered":"Depress\u00e3o em idosos: por que doen\u00e7a ainda \u00e9 dif\u00edcil de ser diagnosticada"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"31234\" class=\"elementor elementor-31234\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-cb4afcf elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"cb4afcf\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-b06513f\" data-id=\"b06513f\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-5c63ebc elementor-widget__width-initial elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"5c63ebc\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>&#8220;Perdi o amor da minha vida, com quem estava h\u00e1 45 anos.&#8221;<\/p>\n<p>A aposentada paranaense Maria Helena Barroso, de 64 anos, relembra assim a morte de seu marido, em 2017, por causa de um c\u00e2ncer.&nbsp;<span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">Ela conta que abdicou de praticamente tudo para se dedicar integralmente por 14 meses ao companheiro, que tratava um tumor de p\u00e2ncreas em est\u00e1gio avan\u00e7ado.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"texto\">&#8220;Para dar todo meu apoio, parei de frequentar minhas aulas de pilates e de hidrogin\u00e1stica (que fazia com ele), de visitar amigas e ir \u00e0 igreja&#8221;, diz.<\/p>\n<p class=\"texto\">No fim do tratamento, a fam\u00edlia optou pelos cuidados paliativos em casa, e o marido de Maria Helena partiu enquanto eles estavam de m\u00e3os dadas uma \u00faltima vez.&nbsp;<span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">Depois da morte dele, a aposentada foi diagnosticada com depress\u00e3o e chegou a perder muito peso.&nbsp;<\/span><span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">&#8220;De um dia para o outro, passei a morar sozinha. Sentia uma tristeza muito grande&#8221;, lembra ela.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\">&#8220;Ao mesmo tempo, passei a receber liga\u00e7\u00f5es e mensagens de WhatsApp com tentativas de golpe depois que passei a receber a aposentadoria dele.&#8221;&nbsp;<span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">Mudan\u00e7as na rotina tamb\u00e9m contribu\u00edram para que Maria Helena tivesse crises de ansiedade. Ela conta que sentia uma ang\u00fastia muito grande ao ter que assumir tarefas do dia-a-dia que antes cabiam ao seu marido, como tirar dinheiro no caixa eletr\u00f4nico.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\">Os filhos insistiram que ela buscasse ajuda m\u00e9dica, mas Maria Helena diz que acreditava, na \u00e9poca, que conseguiria se curar com ajuda de sua f\u00e9.&nbsp;<span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">&#8220;Eu tinha tentado intensificar minhas ora\u00e7\u00f5es e recorrer ao exerc\u00edcio f\u00edsico, que eu tinha retomado&#8221;, diz. &#8220;Foram uns seis meses at\u00e9 eu aceitar que precisava de ajuda.&#8221;<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\">\u00c9 comum que&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/cg7267qgn3nt?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Bem.com.br%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\">idosos<\/a>&nbsp;com&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/c5qvpqy94kvt?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Bem.com.br%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\">depress\u00e3o<\/a>&nbsp;demorem a perceber e a aceitar que est\u00e3o com a doen\u00e7a, segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil.&nbsp;<span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">Al\u00e9m disso, familiares costumam n\u00e3o identificar os sinais da depress\u00e3o em pessoas da terceira idade por acharem que mudan\u00e7as de comportamento s\u00e3o naturais nessa fase da vida, diz Natan Chehter, m\u00e9dico do Hospital Estadual M\u00e1rio Covas e membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.&nbsp;<\/span><span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">&#8220;Depress\u00e3o tem um estigma, e, no idoso, muito mais&#8221;, diz Chehter.&nbsp;<\/span><span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">&#8220;Se a pessoa nunca teve altera\u00e7\u00e3o de humor, nunca foi deprimida, ela pode, eventualmente, achar que n\u00e3o tem nada&#8221;, afirma.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">O especialista refor\u00e7a que, se um idoso passa a se comportar de uma forma diferente do habitual, isso precisa ser devidamente investigado: &#8220;N\u00e3o pode atribuir tudo \u00e0 idade&#8221;.<\/span><\/p>\n<h2>Fatores desencadeantes<\/h2>\n<p class=\"texto\">A depress\u00e3o \u00e9 um transtorno biol\u00f3gico no qual a pessoa perde o interesse ou prazer em rela\u00e7\u00e3o a algo que tinha antes, afetando sua vida pessoal, profissional e social.&nbsp;<span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">Segundo os \u00faltimos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica)&nbsp;<\/span><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mdh\/pt-br\/navegue-por-temas\/observatorio-nacional-da-familia\/fatos-e-numeros\/5.SADEMENTAL28.12.22.pdf\" style=\"font-size: 0.9rem; background-color: rgb(255, 255, 255);\">publicados no Observat\u00f3rio Nacional da Fam\u00edlia<\/a><span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">, do Governo Federal, 10,2% das pessoas com 18 anos ou mais de idade referiram ter recebido o diagn\u00f3stico de depress\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\">Os idosos com 60 a 64 anos representavam a faixa et\u00e1ria proporcionalmente mais afetada, com 13,2%. Os de 65 a 74 anos apareciam com 11,8%. E, por \u00faltimo, os de 75 ou mais, 10,2%.&nbsp;<span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">Essa doen\u00e7a tem caracter\u00edsticas pr\u00f3prias entre idosos, explica Rita Reis Ferreira, psiquiatra do Programa Terceira Idade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Cl\u00ednicas de S\u00e3o Paulo.&nbsp;<\/span><span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">Embora v\u00e1rios fatores possam desencadear a depress\u00e3o, o pr\u00f3prio envelhecimento contribui para isso, diz Ferreira.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\">A m\u00e9dica explica que doen\u00e7as cerebrovasculares, provocadas por diabetes, hipertens\u00e3o e outras, podem atingir os vasos do c\u00e9rebro e danificar o funcionamento do \u00f3rg\u00e3o, ocasionando uma depress\u00e3o vascular.&nbsp;<span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">Nos jovens, fatores biol\u00f3gicos como hipotiroidismo e at\u00e9 c\u00e2ncer podem gerar o problema. O que difere a condi\u00e7\u00e3o entre essas faixas et\u00e1rias, segundo os especialistas, realmente s\u00e3o os problemas vasculares nos idosos.&nbsp;<\/span><span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">&#8220;\u00c9 uma depress\u00e3o em geral muito grave&#8221;, explica a m\u00e9dica.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\">&#8220;Quando fazemos resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, encontramos les\u00f5es vasculares. Com o passar do tempo, nosso sistema vascular vai ficando pior. O sistema vascular de um idoso \u00e9 diferente de um jovem.&#8221;<\/p>\n<p class=\"texto\">Al\u00e9m disso, doen\u00e7as cl\u00ednicas como hipertens\u00e3o, tabagismo e a pr\u00f3pria falta de atividade f\u00edsica minam a sa\u00fade do indiv\u00edduo ao longo dos anos, gerando consequ\u00eancias no futuro.&nbsp;<span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">&#8220;O que vai acontecer \u00e9 que os problemas v\u00e3o surgir tardiamente. Todas as doen\u00e7as existem clinicamente, mas as suas repercuss\u00f5es surgem ao longo do tempo &#8220;, alerta Ferreira.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\">A&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/c72ywlpvl32o?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Bem.com.br%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\">solid\u00e3o frequente<\/a>&nbsp;tamb\u00e9m contribui para um quadro depressivo, segundo especialistas. Isso foi mostrado inclusive em pesquisa publicada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em 2023.&nbsp;<span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">O estudo&nbsp;<\/span><em style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">Solid\u00e3o e sua associa\u00e7\u00e3o com indicadores sociodemogr\u00e1ficos e de sa\u00fade em adultos e idosos brasileiros: ELSI-Brasil<\/em><span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">&nbsp;apontou que a depress\u00e3o \u00e9 quatro vezes mais comum entre idosos que relatam se sentirem sempre sozinhos.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\">J\u00e1 os indiv\u00edduos que moravam sozinhos apresentaram \u00edndices mais altos de solid\u00e3o do que os que moravam com uma ou mais pessoas. Os dados revelam ainda que os n\u00edveis de solid\u00e3o em mulheres idosas s\u00e3o mais altos que os dos homens.&nbsp;<span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">O geriatra Leonardo Bernal, professor da Faculdade de Medicina do ABC, aponta ainda quest\u00f5es socioecon\u00f4micas para o surgimento da depress\u00e3o nessa fase da vida.&nbsp;<\/span><span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">Idosos em \u00e1reas perif\u00e9ricas e com menor poder aquisitivo tendem a sofrer mais com a doen\u00e7a.&nbsp;<\/span><span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">&#8220;Se tem mais condi\u00e7\u00f5es, logo, tem melhor acesso a um servi\u00e7o de sa\u00fade. Um conv\u00eanio \u00e9 car\u00edssimo para um idoso&#8221;, diz Bernal.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\">&#8220;Quando o idoso est\u00e1 ativo economicamente, consegue uma consulta como gostaria. Mas, quando se aposenta, o plano consome quase todo o rendimento dele.&#8221;<\/p>\n<p class=\"texto\">Al\u00e9m disso, especialistas apontam que outros fatores psicossociais favorecem o surgimento da condi\u00e7\u00e3o, como mudan\u00e7as bruscas na rotina.&nbsp;<span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">&#8220;Na verdade, envelhecer \u00e9 conviver com perdas. Quando voc\u00ea se aposenta, por exemplo, voc\u00ea tamb\u00e9m perde seu papel social&#8221;, afirma Ferreira.<\/span><\/p>\n<h2>&#8216;N\u00e3o sentia vontade de fazer nada&#8217;<\/h2>\n<p class=\"texto\">Durante quase 30 anos, a aposentada paulista Jair\u00ea Marques, de 84 anos, trabalhou como t\u00e9cnica de laborat\u00f3rio em uma universidade em S\u00e3o Paulo.&nbsp;<span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">Quando se aposentou e come\u00e7ou a ficar em casa com mais frequ\u00eancia, ela notou que o sentimento de tristeza n\u00e3o passava.&nbsp;<\/span><span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">Mesmo suspeitando que poderia ser depress\u00e3o, ela destaca que anos atr\u00e1s n\u00e3o se falava na doen\u00e7a como agora, o que dificultava o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/span><span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">&#8220;Meu diagn\u00f3stico de depress\u00e3o foi depois da minha aposentadoria. Eu sempre fui um pouquinho depressiva, mas, no come\u00e7o, nem sabia o que era depress\u00e3o&#8221;, diz.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\">Jair\u00ea afirma ainda que, como amava o que fazia, sair do trabalho foi um dos gatilhos para a mudan\u00e7a no humor.&nbsp;<span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">&#8220;Depois que me aposentei, fiquei muito mal e passei uns anos assim, procurando alguma coisa para melhorar&#8221;, afirma.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\">Para tentar entender o que sentia, a aposentada recorreu ao Hospital das Cl\u00ednicas, em S\u00e3o Paulo.&nbsp;<span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">Come\u00e7ou um tratamento com uma psic\u00f3loga, mas precisou ser encaminhada a um psiquiatra. Foi ent\u00e3o que recebeu o diagn\u00f3stico de depress\u00e3o.&nbsp;<\/span><span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">Segundo a aposentada, ela sentia muita ang\u00fastia e tinha pensamentos negativos com frequ\u00eancia.&nbsp;<\/span><span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">&#8220;N\u00e3o sentia vontade de fazer nada. \u00c9 tanta coisa que a gente sente que n\u00e3o d\u00e1 nem para explicar o que era pior.&#8221;<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\">Ela n\u00e3o relutou em se tratar e seguiu a linha terap\u00eautica com medica\u00e7\u00f5es e atividades de arte.&nbsp;<span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">&#8220;J\u00e1 estava com quase 60 anos, e o tratamento foi um al\u00edvio muito grande. N\u00e3o queria continuar vivendo daquela forma&#8221;, conta.<\/span><\/p>\n<figure>\n<figcaption>Jair\u00ea conta que teve diagn\u00f3stico de depress\u00e3o ap\u00f3s se aposentar<\/figcaption>\n<\/figure>\n<p class=\"texto\">Na \u00e9poca, ela ainda teve que lidar com o falecimento do pai e, alguns anos depois, com a morte da m\u00e3e, que partiu aos 94 anos e tinha sintomas de dem\u00eancia.&nbsp;<span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">&#8220;Gra\u00e7as a Deus, tive condi\u00e7\u00f5es de acompanhar (minha m\u00e3e). N\u00f3s mor\u00e1vamos juntas, e essa foi a parte principal. Se eu n\u00e3o estivesse bem, n\u00e3o conseguiria&#8221;, afirma.&nbsp;<\/span><span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">Depois desse epis\u00f3dio, Jair\u00ea seguiu com o tratamento e, hoje, j\u00e1 s\u00e3o quase 24 anos de acompanhamento e medica\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/span><span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">Ela diz ter sido importante ter recebido um diagn\u00f3stico precoce e defende que \u00e9 preciso acabar com o preconceito em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 depress\u00e3o.&nbsp;<\/span><span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">&#8220;Dou a maior for\u00e7a para as pessoas da terceira idade que est\u00e3o com problema, nem todas as pessoas aceitam, mas hoje em dia j\u00e1 est\u00e1 bem melhor falar sobre depress\u00e3o.&#8221;<\/span><\/p>\n<h2>Sintomas podem ser confundidos<\/h2>\n<p class=\"texto\">O diagn\u00f3stico da depress\u00e3o em idosos pode ser dif\u00edcil devido \u00e0 semelhan\u00e7a com outras doen\u00e7as mentais, apontam especialistas.&nbsp;<span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">Diferentemente do quadro em um jovem, em que os sintomas ficam em geral mais evidentes, em pessoas mais velhas, a condi\u00e7\u00e3o pode ser &#8220;mascarada&#8221;.&nbsp;<\/span><span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">&#8220;O paciente pode estar com alguma altera\u00e7\u00e3o cognitiva e os sintomas podem ser confundidos com depress\u00e3o e vice-versa&#8221;, diz o geriatra Leonardo Bernal.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\">&#8220;N\u00e3o \u00e9 raro um quadro depressivo ser confundido com dem\u00eancia ou Alzheimer.&#8221;<\/p>\n<p class=\"texto\">Por isso, o m\u00e9dico defende que, quando h\u00e1 uma altera\u00e7\u00e3o de comportamento prolongada, \u00e9 necess\u00e1rio que o pr\u00f3prio idoso ou familiares busquem uma ajuda m\u00e9dica.&nbsp;<span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">Essas altera\u00e7\u00f5es de humor podem vir acompanhadas de sintomas como dores frequentes, sonol\u00eancia em excesso, ins\u00f4nia, falta de apetite, fadiga, tristeza profunda e apatia.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\">A dificuldade em obter o diagn\u00f3stico tamb\u00e9m ocorre por neglig\u00eancia dos pr\u00f3prios familiares, segundo os m\u00e9dicos.&nbsp;<span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">&#8220;Parece que no idoso tudo \u00e9 normal. Ele tem uma dor, \u00e9 atribu\u00edda \u00e0 idade. O paciente est\u00e1 esquecido, \u00e9 a idade. Sempre tem um problema e uma justificativa. O maior estigma ainda \u00e9 relacionado \u00e0 idade&#8221;, destaca Bernal.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\">Flavia Maria de Paula Soares, psic\u00f3loga e professora da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Paran\u00e1 (PUCPR), diz que outro problema comum \u00e9 o idoso ser tratado como crian\u00e7a.&nbsp;<span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">&#8220;\u00c9 muito comum associarem o p\u00fablico da terceira idade a pessoas ranzinzas, birrentos e at\u00e9 trat\u00e1-los de forma infantilizada&#8221;, diz.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\">&#8220;\u00c9 importante ter uma escuta dedicada, mas sem infantiliza\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>\u00c9 importante incentivar a participa\u00e7\u00e3o de idosos em atividades sociais, grupos de apoio ou clubes para combater a solid\u00e3o, dizem especialistas. Ao procurar ajuda \u00e9 necess\u00e1rio que o idoso receba orienta\u00e7\u00e3o de um geriatra ou psiquiatra.&nbsp;<span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">A psicoterapia tamb\u00e9m faz parte do tratamento e deve ser levada em considera\u00e7\u00e3o durante o acompanhamento m\u00e9dico.<\/span><\/p>\n<p>&#8220;Al\u00e9m disso, \u00e9 importante ter esse entorno que o escute, que o acolha. Que fale para ele e n\u00e3o dele&#8221;, ressalta Soares, que tamb\u00e9m \u00e9 autora do livro Envelhesc\u00eancia: o trabalho ps\u00edquico na velhice (Editora Appris, 2021). Mudan\u00e7as no estilo de vida tamb\u00e9m ajudam que uma pessoa que sofre de depress\u00e3o recupere o prazer em sua rotina, segundo especialistas.<\/p>\n<p>Durante o processo, \u00e9 importante que o idoso n\u00e3o receba julgamentos ou questionamentos, mas sim, uma ajuda de pessoas pr\u00f3ximas.&nbsp;<span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">\u00c9 importante incentivar a participa\u00e7\u00e3o deles em atividades sociais, grupos de apoio ou clubes para combater a solid\u00e3o.&nbsp;<\/span><span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">H\u00e1 unidades b\u00e1sicas de sa\u00fade que promovem atividades de lazer em todo pa\u00eds. Tamb\u00e9m existem programas de lazer nas unidades do Servi\u00e7o Social do Com\u00e9rcio (Sesc), institui\u00e7\u00e3o que promove servi\u00e7os de bem-estar e qualidade de vida \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>Apoio dos filhos foi fundamental<\/p>\n<p>Maria Helena teve o apoio da fam\u00edlia para buscar um especialista e investigar por que o sentimento de tristeza profunda n\u00e3o passava. Mesmo relutante, Maria Helena teve o apoio da fam\u00edlia para buscar um especialista e investigar por que o sentimento de tristeza profunda n\u00e3o passava. &#8220;Tenho dois filhos que, apesar de morarem em outro Estado, sempre estiveram presentes, me ligando todos os dias por v\u00eddeo&#8221;, conta ela.<\/p>\n<p>&#8220;Eles percebiam que eu n\u00e3o melhorava daquele estado de tristeza e come\u00e7aram a colocar na minha cabe\u00e7a que aquilo n\u00e3o era normal e que eu precisava procurar ajuda m\u00e9dica.&#8221;&nbsp;<span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">Seu filho, Marcus Barroso, de 37 anos, lembra que essa fase foi bem complicada, ainda mais durante o processo de luto em que todos estavam vivendo.<\/span><\/p>\n<p>&#8220;Foi muito duro ver a minha m\u00e3e t\u00e3o triste. Ela sempre foi muito ativa, mas em um ano, ela emagreceu mais de 10 kg, sendo que j\u00e1 era magra&#8221;, diz Marcus.&nbsp;<span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">&#8220;Eu e minha irm\u00e3 moramos muito longe, ent\u00e3o a preocupa\u00e7\u00e3o era ainda maior, porque n\u00e3o pod\u00edamos estar perto.&#8221;&nbsp;<\/span><span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">Depois de muita insist\u00eancia dos filhos, a aposentada procurou um geriatra que, na sequ\u00eancia, a encaminhou para um psiquiatra.<\/span><\/p>\n<p>O tratamento come\u00e7ou a ser feito com medica\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m com recomenda\u00e7\u00e3o de atividades de lazer.&nbsp;<span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">De in\u00edcio, diz Maria Helena, foi dif\u00edcil se acertar com o rem\u00e9dio, j\u00e1 que alguns medicamentos davam efeitos colaterais como sonol\u00eancia e outros n\u00e3o mostravam muitos efeitos.&nbsp;<\/span><span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">Depois de quase tr\u00eas meses, ela conta que come\u00e7ou a sentir uma melhora vis\u00edvel.<\/span><\/p>\n<p>&#8220;Fiz algumas sess\u00f5es de terapia com uma psic\u00f3loga. Ganhei o peso que tinha perdido e voltei \u00e0 minha rotina de exerc\u00edcios e de encontrar as amigas&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;Tamb\u00e9m entrei para um grupo de ora\u00e7\u00e3o e comecei um trabalho volunt\u00e1rio com pacientes de c\u00e2ncer de um hospital p\u00fablico da minha cidade&#8221;, diz.&nbsp;<span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">A aposentada segue em tratamento e diz que est\u00e1 se sentindo bem melhor.&nbsp;<\/span><span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-size: 0.9rem;\">Pela primeira vez desde o diagn\u00f3stico do c\u00e2ncer do seu marido, ela vai fazer uma festa para comemorar seu anivers\u00e1rio, como fazia no passado.<\/span><\/p>\n<p>Maria Helena ao lado do marido: &#8216;Procurar ajuda especializada \u00e9 extremamente importante&#8217;, diz<br>Aos poucos, Maria Helena est\u00e1 retomando os h\u00e1bitos que a deixavam feliz, e refor\u00e7a a import\u00e2ncia de n\u00e3o tratar a depress\u00e3o como tabu. &#8220;Por mais que a gente tenha aquela resist\u00eancia de achar que a sa\u00edda para a depress\u00e3o est\u00e1 na f\u00e9, na ora\u00e7\u00e3o, depress\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a como qualquer outra&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;Precisa de um tratamento em v\u00e1rias frentes, e o rem\u00e9dio \u00e9 uma delas. Procurar ajuda especializada \u00e9 extremamente importante.&#8221;<\/p><p>Fonte: Estado de Minas<\/p>\n<p><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Perdi o amor da minha vida, com quem estava h\u00e1 45 anos.&#8221; A aposentada paranaense Maria Helena Barroso, de 64 anos, relembra assim a morte de seu marido, em 2017, por causa de um c\u00e2ncer.&nbsp;Ela conta que abdicou de praticamente tudo para se dedicar integralmente por 14 meses ao companheiro, que tratava um tumor de 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