Federassantas faz um levantamento das principais demandas regionais dos filiados. Na próxima segunda-feira, 06 de fevereiro, os coordenadores das regionais vão se reunir, na sede da Federação em Belo Horizonte, para traçar estratégias em defesa dos filiados
O ano começou com muitos desafios para o segmento hospitalar do estado. As dificuldades da crise econômica do país tem reflexos para gestão hospitalar e para várias áreas ligadas direta ou indiretamente ao setor de saúde. Entram nessa lista, fornecedores de suprimentos, empresas da manutenção e de equipamentos, prestadores de serviços e toda cadeia produtiva que permite ao hospital desenvolver sua principal tarefa: assistência médica. Os frequentes atrasos nos repasse de recursos públicos, além da histórica defasagem dos valores da tabela do SUS são alguns dos principais motivos pra tamanha dificuldade orçamentária vivida pelos hospitais filantrópicos. Uma bola de neve, um efeito cascata envolvendo toda a estrutura financeira dos hospitais. Na ponta disso tudo está quem mais precisa de assistência: o paciente. Para vencer os desafios, a primeira estratégia é reconhecer as particularidades dos hospitais filantrópicos das diferentes regiões de Minas.
Saiba quais são os principais desafios das regiões:
REGIONAL ZONA DA MATA
Rita de Cássia, Diretora Administrativa do Hospital São Paulo, em Muriaé, relata que os hospitais Santa Izabel e São Vicente de Paulo, do município de Ubá, e o Hospital do Câncer de Muriaé, questionam os repasses estaduais dos atendimentos para a rede Porta Aberta – Urgência e Emergência e pagamentos para as diárias de leitos de UTI. Outro questionamento é o atraso do pagamento dos contratos dos serviços de alta complexidade. Segundo a coordenadora da regional, o valor deveria ser repassado nos dias 12 e 13 de janeiro deste ano, mas até o momento, nada foi realizado.
REGIONAL SUL
Na regional Sul, Fábio Montanari, administrador do Hospital Escola de Itajubá, cuja gestão é estadual, também questiona o atraso de pagamentos pelo governo. Segundo ele, a situação se repete no Instituto São Vicente de Paulo, na cidade de Cássia. Ele informa que o hospital atende com poucos leitos e, mesmo com as resoluções do governo estadual autorizando o pagamento de serviços de extrapolamento de produção e do programa ProHosp, o estado não definiu um cronograma para efetuar o pagamento dos serviços oferecidos.
REGIONAL OESTE
A situação se repete também na região oeste do estado. Segundo Anataniel Reis de Oliveira, administrador da Santa Casa de Campo Belo, na regional oeste, os hospitais cobram o atraso no repasse do programa Rede Resposta, sem pagamento desde novembro de 2016. Há atraso também para o ProHosp, referente aos meses de outubro a dezembro de 2016, atraso dos repasses das internações realizadas pelos pacientes do SUS, e os repasses de extrapolamento de teto (câmara de compensação) não tem pagamento desde abril de 2016.
REGIONAL TRIÂNGULO
Na regional do Triângulo Mineiro, Cleuson de Oliveira, administrador do hospital São José de Ituiutaba relata que os pagamentos do ProHosp, referentes aos últimos meses de 2016 e janeiro de 2017, ainda não foram efetuados. Segundo ele, o programa Pro-Urg também não recebe pagamento das parcelas desde novembro do ano passado. Ele informa, ainda, que o hospital possui um déficit de R$ 800 mil e que a dívida está em fase de negociação.
REGIONAL VALES
Na regional dos Vales, as dificuldades são semelhantes. De acordo com Viviane Gobira Guimarães, administradora do Hospital Deraldo Guimarães, o repasse do programa ProHosp, referentes aos últimos meses do ano passado estão atrasados. Ele relata atraso também do pagamento do programa Rede Resposta – Urgência e Emergência, em um valor acumulado de R$ 100 mil, referentes à dezembro de 2016 e janeiro de 2017. A administradora diz que a falta de pagamento ao hospital, dificulta aos gestores realizar o pagamento dos profissionais de saúde e fornecedores da instituição, além da falta de recursos para compra de medicamentos essenciais para atendimento da população. Segundo ela, os gestores trabalham com angustia e insatisfação, sofrendo pressão dos profissionais do hospital. Ela informa que a situação se repete em diversos hospitais da região e questiona o compromisso do estado com o pagamento dos contratos às instituições.
REGIONAL CENTRAL E NORTE
As regionais Central e Norte ainda não estão totalmente implantadas, contudo todas as demandas apontadas pelos filiados dessas regiões estão sendo recepcionadas e serão tratadas na mesma pauta. A implantação das regionais está em processo final e será concluída nos próximos dias. Destacamos que nessas regionais os apontamentos, em sua maioria, convergem para o que acontece no restante do Estado, sendo relatados como principais impactos negativos para as contas dos Hospitais, a necessidade de revisão da estrutura e financiamento dos programas estaduais, com regularidade de pagamento e consequente adimplência, revisão do regramento da câmara de compensação, repasse de recursos federais, conforme estabelecido nas portarias ministeriais, formalização dos contratos de prestação de serviços, dentre outros.