Ministerio da Saúde já tinha conhecimento da falta de medicamentos para entubar pacientes com covid-19 há pelo menos um mês

Segundo a CMB há instituições filantrópicas com estoque para apenas três dias.

Apenas depois de uma reunião realizada nessa quinta-feira (18) com representantes das secretarias estaduais e municipais do país, o Ministério da Saúde informou que irá intermediar junto à OPAS – Organização Pan-Americana da Saúde – a aquisição, no exterior,  de medicamentos essências para sedar e anestesiar pacientes que precisam ser entubados. O Ministério da Saúde disse, também, que irá realizar uma licitação com fornecedores nacionais da qual os estados e prefeituras, de algumas capitais, poderão participar adquirindo quantidades limitadas desses medicamentos. Contudo, o MS não definiu os próximos passos.

Para Kátia Rocha, advogada especialista em direito em saúde e presidente da Federassantas, é preciso que a proposta do MS integre pontos de distribuição muito bem delimitados. “Como será a distribuição em tempo hábil destes medicamentos em todos os hospitais do país, de forma que não haja agravamento do estado atual? O modelo de compra centralizada para um cenário de demanda extremamente pulverizada em hospitais espalhados por todo o território nacional é um desafio enorme, e tal compra ainda tem um potencial de agravar a escassez”.

Segundo gestores hospitalares consultados pela reportagem, normalmente, a maioria desses medicamentos que está em falta é comprada pelos estados e municípios ou diretamente pelos hospitais. A justificativa que eles recebem para a falta do produto é a alta do dólar e do preço dos princípios ativos, geralmente importados, e ainda o aumento da demanda mundial, na pandemia.

Há pelo menos um mês, secretários de saúde de todo país pedem ajuda ao Ministério da Saúde e são ignorados. “Temos um sentimento grande de solidão. Não nos deixem sós com um problema gravíssimo que temos neste momento que se chama medicamentos pré-anestésicos, anestésicos, relaxantes musculares, que são essenciais para entubar pacientes. Estamos apelando ao Ministério desde meados de maio e não temos visto horizonte”, reivindicou o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e secretário de saúde do Pará, Alberto Beltrame.

ALERTA VERMELHO

Um levantamento feito pelo Conass e apresentado em audiência pública na Câmara dos Deputados, no dia 3 de junho, mostra que 24 das 25 secretarias estaduais que responderam a um questionário sobre a falta de medicamentos afirmaram não ter pelo menos um dos bloqueadores musculares necessários no processo de intubação de pacientes. Ainda de acordo com Conselho, na época o assunto foi levado ao gabinete de crise do Ministério da Saúde, mas nada foi feito. Já há investigação, inclusive, em dois estados (Rio e Amapá) para apurar mortes de pacientes que não tiveram acesso a essas medicações.

Além dos hospitais públicos municipais e estaduais, a falta de medicamentos para pacientes que estão no CTI com covid-19 também atinge as Santas Casas e filantrópicos de vários estados. O presidente da Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas (CMB), Mirocles Véras, informou há instituições com estoque para apenas três dias.

O hospital filantrópico Ibiapaba CEBAMS, em Barbacena, no interior de Minas, atende a população de 51 cidades da região e é referência no tratamento de doenças cardíacas e também para pacientes com COVID-19. A farmacêutica Danielle dos Santos Lima explica que os medicamentos em falta são importantes para diversos tratamentos, além de atender pacientes infectados com coronavírus. São, em geral, anestésicos; bloqueadores neuromusculares e sedativos. “Dos pacientes que internam, aqui, com problemas cardiológicos ou oncológicos quase todos precisam de algum dos medicamentos que estão em falta”, explicou. Agora, o hospital precisou mudar o protocolo de atendimento para garantir o tratamento dos pacientes até terminar o estoque.

SECOM/Hospital Ibiapaba CEBAMS

Por  Assessoria de Comunicação Federassantas, com colaboração de Elisângela Colodeti

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