SURTO DE FEBRE AMARELA AFETA BANCO DE SANGUE DE HOSPITAIS FILANTRÓPICOS

Hospitais filantrópicos da região leste de Minas, afetada pelo surto de febre amarela, enfrentam dificuldades com a baixa de estoque e de doações de sangue. Profissionais da saúde afirmam que como boa parte da população foi vacinada recentemente nessas cidades houve queda no número de doadores.  Isto acontece porque assim que a pessoa recebe a vacina ela deve aguardar quatro semanas para fazer a doação de sangue.

Segundo assessoria de comunicação do hospital Santa Rosália, em Teófilo Otoni, o banco de sangue da instituição está em situação crítica. A assessoria informou que, na última semana, o hospital teve que criar uma campanha para captar doadores de sangue, que tenham tomado as duas doses da vacina contra a febre amarela, há mais de 30 dias (comprovadamente no cartão de vacinação).

Em Ipatinga a situação também preocupa. Sete casos de febre amarela foram notificados e estão sob investigação pela Secretaria Estadual de Saúde. De acordo com Hospital Márcio Cunha, o recomendável para o setor de hemoterapia é que se tenha, no mínimo, 130 bolsas de sangue em estoque. No entanto, de acordo com a assessoria, hoje esse número é de apenas 30 bolsas. Para o médico hematologista do hospital,Marcos Aurélio Murer, a questão deve ser tratada com prioridade: “um único paciente grave com febre amarela pode exigir de 4 a 12 bolsas de plasma fresco congelado e crioprecipitado, componentes do sangue essenciais para pacientes que possuem alguma doença que dificulta a coagulação”, como é a caso da febre amarela. Segundo Chardson Roberto da Paixão, diretor assistencial do Hospital Cesar Leite, em Manhuaçu, o estoque baixo de sangue também tem sido um problema, já que a instituição tem atendido em média cinco pacientes por dia com sintomas da doença.

APOIO NOS HEMOCENTROS 

A Hemominas registrou queda de mais de 50% no estoque ideal dos bancos de sangue na região de Governador Valadares, leste de Minas Gerais. Em nota, a assessoria afirmou, “a Hemominas trabalha em rede, portanto, o estoque de uma unidade serve para suprir a baixa do estoque em outra. No entanto, nas regiões onde há o surto de febre amarela, o comparecimento de doadores nos últimos dias é menor. A baixa nos bancos de sangue ocorre também nos municípios de Manhumirim, Coronel Fabriciano e Teofilo Otoni.

A Fundação Hemominas informou que “está fazendo ações direcionadas que incluem a divulgação da importância da doação de sangue em todo o estado e anunciou um chamamento público para a contratação de mais profissionais para as regiões onde a situação é mais crítica. Está funcionando desde o dia 16/01 o plano de contingência para que cada unidade aumente sua captação de doadores para, assim, ajudar a abastecer os estoques das unidades onde a situação é mais crítica”.

Segundo informações da assessoria, a Hemoninas trabalha também para ampliar a captação em hemocentros de regiões que não têm surto de febre amarela e atender à demanda que surge nas regiões leste, nordeste e parte do sul do estado. Outra medida que está sendo adotava nas regiões de surto é orientar os doadores locais a doar o sangue antes de tomarem a vacina contra a febre amarela e assim poder efetivar a doação.

A Fundação Hemominas atende a maioria dos estabelecimentos de saúde de Minas Gerais por meio de contratos e convênios com as entidades conveniadas da rede SUS, sendo elas, hospitais públicos, filantrópicos e particulares, em mais de 800 municípios mineiros diretamente ou indiretamente. Atualmente, a Fundação é responsável por 92% da cobertura hemoterápica do estado.

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