Violência contra médicos acende alerta sobre segurança e organização dos serviços de saúde

As agressões contra médicos cresceram quase 70% no Brasil na última década. Somente em 2024, foram registrados 4.562 boletins de ocorrência em estabelecimentos de saúde, uma média de 12 casos por dia, segundo o Conselho Federal de Medicina.

A presidente da Federassantas, Dra. Kátia Rocha, falou sobre o assunto durante entrevista ao programa Rádio Vivo, da Itatiaia. Ela reforçou que nada justifica uma agressão física ou verbal contra um profissional que está trabalhando.

Kátia também chamou a atenção para um lado menos discutido do problema: o ambiente em que esses conflitos acontecem. Pronto-atendimentos sobrecarregados, demora, dificuldade de acesso e falta de informação aumentam a ansiedade de pacientes e familiares. Ao mesmo tempo, médicos, enfermeiros e outros profissionais trabalham sob forte pressão.

A falta de informação durante a espera pode aumentar a frustração. Já uma equipe sobrecarregada pode ter mais dificuldade para ouvir, orientar e lidar com situações de tensão. Compreender essa dinâmica não significa justificar a violência, mas ajuda a identificar formas de preveni-la.

Para a presidente, as unidades precisam contar com medidas de segurança e protocolos de resposta, mas o trabalho não pode se limitar à presença de vigilantes. Também é necessário organizar os fluxos, melhorar a comunicação com pacientes e familiares, manter canais adequados para reclamações e preparar as equipes para lidar com situações difíceis.

A Resolução CFM nº 2.444/2025 reforça essa proteção ao prever medidas como controle de acesso, protocolos de resposta à violência, apoio ao profissional agredido e notificação das ocorrências.

A humanização, segundo Kátia, precisa alcançar os dois lados do atendimento. Pacientes têm direito a acolhimento, informação e respeito, enquanto os profissionais precisam encontrar condições seguras e adequadas para trabalhar.

“O hospital precisa ser um ambiente seguro em duas direções: seguro para quem procura cuidado e seguro para quem dedica sua vida a cuidar.”

Assista à entrevista da presidente da Federassantas, Dra. Kátia Rocha, ao programa Rádio Vivo, da Itatiaia.

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