FEDERASSANTAS E HOSPITAIS MINEIROS PARTICIPAM DO 34º CONGRESSO DA CMB, EM BRASÍLIA

Com o tema “Saúde: a escolha que transforma o País”, encontro reuniu lideranças do setor beneficente e representantes do poder público para discutir os desafios da assistência e do financiamento do SUS

A Federassantas e representantes de instituições beneficentes de Minas Gerais participaram, entre os dias 18 e 20 de agosto, em Brasília, do 34º Congresso Nacional das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos, promovido pela Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos (CMB).

O encontro reuniu lideranças de instituições de diferentes regiões do Brasil, gestores, especialistas e representantes do poder público. Na programação foram abordados temas ligados ao financiamento, à sustentabilidade dos hospitais, à atenção especializada e aos desafios atuais do Sistema Único de Saúde (SUS).

Minas Gerais esteve presente nas discussões, com representantes das instituições filiadas à Federassantas participando da programação e dos espaços de debate. A Federação também teve representação no palco do Congresso, ampliando a presença do setor beneficente mineiro em um dos principais encontros nacionais do segmento.

E ainda, integrou a programação do podcast realizado durante o evento, levando a representação mineira a mais um espaço de conversa e troca de experiências com o setor. 

Para a presidente da Federassantas, Dra. Kátia Rocha, a própria mensagem escolhida para esta edição sintetizou o espírito do encontro.

“Toda transformação começa por uma escolha. A grande mensagem foi essa: saúde é a escolha que transforma.”

 Financiamento da média e alta complexidade ganha destaque

Entre os assuntos acompanhados pela Federassantas, o financiamento da média e alta complexidade teve atenção especial.

O Ministério da Saúde participou do Congresso com integrantes de sua equipe técnica e com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Segundo Kátia Rocha, as manifestações apresentadas durante o encontro indicaram o reconhecimento, por parte do Ministério, da necessidade de discutir mudanças na forma de remuneração dos hospitais.

O tema está diretamente relacionado a uma reivindicação antiga do setor beneficente.

“O Ministério da Saúde já demonstra e reconhece que é preciso mudar o formato remuneratório dos nossos hospitais.”

Em sua avaliação sobre os debates realizados em Brasília, Kátia também destacou a discussão em torno de uma regulamentação que avance na definição das responsabilidades dos três entes federativos no financiamento da assistência.

Hoje, segundo a presidente, a lógica tripartite já pode ser observada de maneira mais clara em outras áreas do SUS, como na assistência farmacêutica. Na média e alta complexidade, entretanto, ainda há necessidade de avançar na pactuação entre União, estados e municípios.

“Na atenção de média e alta complexidade, ainda dependemos de uma regulamentação e de uma pactuação tripartite para enxergarmos realmente qual é o papel da União, dos estados e dos municípios.”

A discussão interessa especialmente aos hospitais beneficentes, que convivem há anos com a pressão dos custos assistenciais e com os limites do atual modelo de financiamento.

Dra. Kátia reconhece os avanços alcançados pelo SUS, mas chama atenção para o impacto que a questão do custeio pode provocar sobre a continuidade desse processo.

“Nós já avançamos muito no SUS. Mas chega um momento em que, quando a questão do custeio não é enfrentada com a devida profundidade que os custos da saúde exigem, começamos a viver períodos de estagnação em desfavor do nosso usuário. E é exatamente isso que não desejamos.”

Federassantas defende participação do setor na discussão

A presidente da Federassantas também ressaltou que a federação está disposta a participar desse processo junto aos gestores públicos.

Para ela, o financiamento tripartite não é propriamente uma novidade dentro do SUS. O desafio está em organizar essa participação e estabelecer com maior clareza as responsabilidades de cada esfera de governo.

“Queremos que os gestores públicos contem conosco na construção dessa conformação do modelo tripartite, porque ele já acontece, mas ainda de uma maneira não organizada, não sistêmica e não isonômica.”

A discussão sobre financiamento, somada aos demais temas apresentados durante os três dias de programação, marcou a participação da Federassantas e das instituições mineiras nesta edição.

A experiência de quem esteve no Congresso

Para Elis Regina Guimarães, diretora-executiva e CEO do Complexo de Saúde São João de Deus, de Divinópolis, e do Hospital São José, de Nova Serrana, o Congresso se destacou pelo formato inovador, pela integração entre os participantes e pela proximidade com diferentes áreas do Ministério da Saúde.

“Participar do 34º Congresso da CMB foi um privilégio. Além da qualidade dos palestrantes, o formato proporcionou maior integração entre todos e trouxe novas propostas e soluções para os nossos hospitais.”

Assista ao depoimento de Elis Regina Guimarães sobre a experiência no 34º Congresso da CMB.

O Congresso terminou na quinta-feira (20), depois de três dias de encontros em Brasília. Para os representantes de Minas Gerais, além do conteúdo apresentado nos painéis, ficaram as conversas com outras lideranças do setor e a oportunidade de acompanhar, de perto, discussões que alcançam diretamente o cotidiano dos hospitais beneficentes

A Federassantas retorna a Minas Gerais fortalecida pelo encontro e, principalmente, pela presença das lideranças das instituições filiadas que tiveram oportunidade e que escolheram participar desse movimento.

Como resumiu Kátia Rocha ao falar sobre a experiência: “Toda transformação começa por uma escolha.”

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